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quinta-feira, 20 de abril de 2017

‘Tá todo mundo assustado’, desabafa tia de menina que sumiu com suspeita do jogo da ‘Baleia Azul’; saiba detalhes


A tia da adolescente Ana Vitória Sena de Oliveira, de 15 anos, que está desaparecida desde a segunda-feira (17), na cidade de Juazeiro, norte da Bahia, disse que a família está preocupada e ainda não tem pistas da localização da sobrinha. A família suspeita que o desaparecimento tenha relação com o jogo “baleia azul”. A polícia investiga o caso.
“Todo mundo assustado, a família toda preocupada, todo mundo nervoso. Nesse momento, a gente não tem notícia nenhuma e nenhuma pista”, diz a aposentada Carmelúcia Barbosa Moura.
A família diz ainda que a garota ficava horas na internet, e ultimamente estava de mau humor. “Eu aconselhava ela sempre, a família aconselhava. Em um momento ela ouvia, mas virava as costas e voltava a ser o que era novamente”, diz o padrasto-avô de Ana, Cosme dos Santos.
A garota foi vista pela última vez quando saiu para pegar um ônibus no residencial onde a família mora. Os parentes perceberam o desaparecimento e encontraram uma carta de despedida, em que pede desculpas à família e promete se jogar da ponte entre Juazeiro e Petrolina (PE).
A menina ainda deixou em casa o aparelho celular, onde foram encontradas no aplicativo Whats App mensagens sobre o jogo da baleia azul. A delegada Lígia Nunes, coordenadora regional de Polícia Civil em Juazeiro, disse que a polícia realiza buscas pela menor na cidade.

“Por todo o apanhado até agora, há indícios de suicídio, mas não houve localização de corpo. Várias pessoas foram ouvidas, familiares e amigos, pessoas que tiveram com ela na últimas horas, colegas de escola e amigos. Vamos traçar o perfil dela para saber se ela estava participando da “baleia azul”. Antes mesmo da família registrar, já estávamos investigando”, afirmou a delegada. A polícia também vai periciar o aparelho celular e a carta deixada pela jovem.
A foto do perfil da adolescente nas redes sociais foi alterada por uma imagem de luto após o desaparecimento mas, segundo a delegada, não é possível afirmar se a publicação foi feita pela própria garota.
Alerta
O jogo da “Baleia Azul”, que propõe 50 desafios aos adolescentes e sugere o suicídio como última etapa, preocupa pais, alunos e professores no Brasil. O que atualmente está sendo conhecido como “jogo” na verdade é uma sequência de troca de mensagens em redes sociais e tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados “curadores”, propõe 50 desafios macabros aos adolescentes, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se desenhando baleias com instrumentos afiados em partes do corpo e ficar doente.
1. Fique atento à mudança de comportamento
Uma mudança brusca de comportamento pode ser sinal de que a criança ou o adolescente esteja sofrendo com algo que não saiba lidar, segundo Elizabeth dos Reis Sanada, doutora em psicologia escolar e docente no Instituto Singularidades.
“Isolamento, mudança no apetite, o fato de o adolescente passar muito tempo fechado no quarto ou usar roupas para se esquivar de mostrar o corpo são pistas de que sofre algo que não consegue falar”, diz.
2. Compartilhe projetos de vida
Para entender se a criança ou adolescente está com problemas é fundamental que os pais se interessem por sua rotina. Elizabeth reforça que este deve ser um desejo genuíno, e não momentâneo por conta da repercussão do “Jogo da Baleia”.
“Os pais devem conhecer a rotina dos filhos, entender o que fazem, conhecer os amigos”, afirma a Elizabeth. Ela lembra que muitos adolescentes “falam” abertamente sobre a falta de motivação de viver nas redes sociais. Aos pais cabe incentivar que os filhos tenham projetos para o futuro, tracem metas como uma viagem, por exemplo, e até algo mais simples, como definir a programação do fim de semana.
3. Abra espaço para diálogo
Filhos devem se sentir acolhidos no âmbito familiar, por isso, Elizabeth reforça que é necessário que os pais revertam suas expectativas em relação a eles. “É preciso que o adolescente se sinta à vontade para falar de suas frustações e se sinta apoiado. Se ele tiver um espaço para dividir suas angústias e for escutado, tem um fator de proteção”, afirma Elizabeth.
Angela Bley, psicóloga coordenadora do instituto de psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, diz que o adolescente com autoestima baixa, sem vínculo familiar fortalecido é mais vulnerável a cair neste tipo de armadilha. “O que tem diálogo em casa, não é criticado o tempo todo, tem autoestima melhor, tem risco menor. Deixe que ele fale sobre o jogo, o que sente, é um momento de diálogo entre a família.”
Angela reforça que muitas vezes o adolescente não tem capacidade de discernir sobre todo o conteúdo ao qual é exposto. “Por isso é importante o diálogo franco. Não pode fingir que esse tipo de coisa não existe porque ele sabe que existe.”
4. Adolescentes devem buscar aliados
O adolescente precisa buscar as pessoas em que confia para compartilhar seus anseios, seja no ambiente escolar ou familiar, segundo as especialistas. “Que ele não ceda às ameaças de quem já está em contato com o jogo e entenda que quem está a frente deles são manipuladores”, diz Elizabeth.
5. Escolas podem criar iniciativas pela vida
Assim como a família, as escolas podem ajudar a identificar situações de risco entre os alunos. “Não é qualquer criança que vai responder ao chamado de um jogo como esse, são os que têm situações de vulnerabilidade. A escola ajuda a construir laços e tem papel fundamental de perceber como os alunos se desenvolvem”, afirma Elizabeth.
Alguns colégios, já cientes da viralização do jogo, começaram a pensar em alternativas para aumentar a conscientização sobre a importância de cuidade da vida. No Colégio Fecap, que fica na Região Central de São Paulo, essa ideia virou projeto escolar: a turma de alunos do ensino médio técnico de programação de jogos digitais começou a criar uma espécie de “contra-jogo” da Baleia Azul.
“O jogo ainda está sendo produzido pelos alunos. Eles estão se reunindo e debatendo a questão. Serão 15 desafios de como desfrutar melhor da vida e celebrá-la”, conta o professor Marcelo Krokoscz, diretor do colégio.
Durante o curso, os estudantes aprender a aplicar linguagens de programação para criar jogos para computadores, videogame, internet e celulares, trabalhando desde a formação de personagens, roteiros e cenários até a programação do jogo em si. Segundo Krokoscz, a ideia é que o jogo, ainda sem prazo de lançamento, esteja disponível on-line para o público em geral.
Ele afirma que o objetivo é a ajudar os jovens a verem o lado bom da vida. “Impacta mais fortemente nossos alunos a partir do momento que eles mesmos criam um jogo a favor da vida.”
Fonte: G1/BA (Fotos reprodução)

Desenhador por

Adailton Santana.

Agencia UAUNET: Temas UAU

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